O jazz encantador de José James
Postado por André Cananéa em 20 de outubro de 2009 às 5:42
Perdido no oceano de links e downloads está o disco de estreia do cantor norte-americano José James (assim mesmo, com acento agudo), The Dreamer. Eu digo perdido porque a edição em CD é mais difícil de encontrar que um maço de notas de R$ 100 perdido em corredor de shopping.
Em viagem pela Europa, uma grande amigo doou parte do seu passeio para procurar o bendito álbum para mim, lançado por um selo obscuro (um tal de Browns Wood Recordings). Procurou um para mim e outro para ele. Bateu Paris e Londres e só encontrou em Paris, na Virgin da Champs-Élysées, um único espécime – hoje, em minhas mãos (valeu aí, Lauriston!)
O fato é que o disco de José James é o meu Santo Graal, minha Caveira de Cristal, meu o tesouro dos Cavaleiros Templários, my precious, o código Da Vinci desvendado… discaço de marca maior. James gravou um álbum de jazz, casado de amores com o soul e um frescor contemporâneo cool. O moço é um negro criado no Brooklyn, filho de pai panamenho que ganhou o mundo (e o mundo o ganhou).
No disco ele “apenas” canta (e precisa mais?). Sua voz é afinada, sussurrante em arranjos delicados para piano (“Velvet”), firme quando necessária, numa entonação crescente que arrebata uma canção verdadeiramente apaixonada (“Blackeyedsusan”, uma das melhores faixas do disco), cheio de malemolência (“Park bench people”) ou ainda nervosa, acompanhando uma batida drum ‘n’ bass orgânica (”Nola”).
O fato é: José James é um dos raros bons vocalistas de jazz com menos de 30 anos. Eu mesmo pensava que eles não existiam. Ou que tinham morrido ou, ainda, sucumbido ao hip-hop. Não é aquela coisa pop de James Cullum. É um soul-jazz refinado, terno escuro e piano de calda, saca? Charmosão, como um comercial de Johnny Walker Black que tenha galã black-tie e uma bela mulher, cheirosa e bem vestida, saindo de uma limusine branca, um pé, depois o outro.
De volta ao planeta música: é uma pena que as ditas majors não tenham fisgado José James (ainda dá em tempo) e que “o sonhador” não chegue para os amantes de uma música. Recorri à Lauriston poque nem a Amazon tem a versão CD – por lá só dá para encontrar as faixas digitais para comprar.
Portanto, amigo, amiga, se aquele seu conhecido está embarcando neste momento para a Europa, não titubeei: peça este delicioso souvenir de lembrança.
Aqui você assiste a dois vídeos do cantor. Para ir à página oficial de José James, clique aqui.
José James, Vocalist + Lyricist + Songwriter :: Artist Profile from friendswelove.com on Vimeo.





Excelente texto! Resume muito bem José James, que é simplesmente o mais encantador!
‘Park Bench People’ é minha predileta! O cara é realmente muito bom!
ps.: adoro suas impolgações no texto! Coisa de gente que gosta do que faz! =)
Olá … esse texto realmete me fez suspirar…José HJames é realmente maravilhoso … mas caro amigo procurei para baixar e não achei em lugar algum. quanto que vc pagou no album…? tenho uma amiga que esta nos EUA de-repente já ligo pedindo para ela trazer pra mim…
Grande abraço!
O que você tem contra hip-hop? Não é possível pensar em cultura negra sem o hip-hop e mesmo o jazz hoje em dia não lhe pode virar as costas.
Mesmos na música de José James fica evidente a influência do hip-hop.
Se ainda tiver dúvida da força do hip-hop.
http://bit.ly/5ALUb4 – com DJ Mitsu
http://www.youtube.com/watch?v=9I6JX74AOzU – com a banda japonesa Soil & “Pimp” Session.
Assim como você, também tenho um amigo que colocou em minhas mãos as músicas desse talento nato
Ótimo texto!